Rio Branco, que abastece Boa Vista, subiu para 52 cm após chuvas isoladas; pesquisador do Inpa alerta para efeitos do Super El Niño.

Roraima registrou 248 focos ativos de queimadas detectados por satélite em outubro, até o dia 19. No mesmo período de 2025, foram 128, ou seja, o número mais que dobrou, segundo o Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
De janeiro até 19 de outubro, o estado soma 2.223 focos, número maior que o de todo o ano passado, quando foram 1.539. A diferença é de 684 registros, e o mês ainda não terminou.
Chuvas ajudam a controlar o fogo
Os dados do Inpe mostram que Roraima tem 26 eventos de fogo ativos em 11 municípios, com área estimada em 5.615 hectares. As chuvas localizadas e esparsas dos últimos dias têm ajudado a conter o avanço das queimadas.
O Rio Branco, principal manancial de água potável de Boa Vista, chegou a 45 centímetros na semana passada. Na noite de terça-feira (20), subiu para 52 cm, de acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), disponibilizados pela Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer).
Alerta para o Super El Niño
O pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Reinaldo Imbrozio afirma que o Super El Niño de 2026 foi definido em setembro, quando o aquecimento das águas do Pacífico registrou anomalia acima de 2°C. Agências climáticas estimam que o fenômeno avance até os primeiros meses de 2027 e possa causar seca histórica.
Segundo Imbrozio, os dados oficiais indicam a possibilidade de novos episódios de nuvens de poluição sobre Roraima, como os de 1997-98, 2015-16 e 2023-24. Ele lembra que o evento de 1925-26 ficou conhecido entre moradores locais como "Verão da Fumaça".
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